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	<title>Experimentação Animal Archives - VEDDAS</title>
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	<description>O VEDDAS trabalha para a defesa e difusão dos direitos animais por meio de protestos e projetos de educação vegana. Conheça as campanhas em que você pode colaborar.</description>
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		<title>Vivissecção: um negócio indispensável aos “interesses” da Ciência”?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[VEDDAS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 May 2013 22:31:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Experimentação Animal]]></category>
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					<description><![CDATA[Sônia T. Felipe Cientistas e pesquisadores que investigam as doenças que afligem humanos são treinados em centros de pesquisa na prática criminosa da vivissecção, proibida pela Lei 9.605, de 12]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sônia T. Felipe</p>
<p>Cientistas e pesquisadores que investigam as doenças que afligem humanos são treinados em centros de pesquisa na prática criminosa da vivissecção, proibida pela Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, quando há métodos substitutivos. Em muitos casos, a vivissecção é o único método no qual a inteligência científica recebe treinamento.</p>
<p><span id="more-862"></span>Nos últimos quarenta anos, a pesquisa biomédica centrou esforços em experimentos com “modelos” obtidos às custas do sofrimento e morte de animais não-humanos, usados para espelhar as doenças produzidas num ambiente físico e mental humano. Entre essas estão o câncer, os acidentes vasculares, a hipertensão, a hipercolesterolemia, o diabetes, a esclerose múltipla, as degenerações neurológicas conhecidas por mal de Parkinson e mal de Alzheimer, a “depressão” e outras formas de sofrimento psíquico. Ratos, camundongos, cães, símios, cavalos, porcos e aves são comercializados no mercado vivisseccionista.</p>
<p>Só para dar um exemplo: Calcula-se que sejam 2, 6 milhões de humanos sofrendo de esclerose múltipla ao redor do planeta. Os medicamentos obtidos a partir da vivissecção de roedores fracassaram. Cientistas reconheceram que a causa da doença é “ambiental”, contribuindo para ela diferentes genes, não apenas um. Os medicamentos disponíveis hoje, de origem microbiana, não resultaram da vivissecção, e sim da codificação da estrutura físico-química deles (Greek &amp; Greek, Specious Science).</p>
<p>Não sendo aquelas doenças de origem genética nem hereditária, qual seria o propósito científico em se insistir na arquitetura do modelo animal para buscar a cura delas?</p>
<p>Talvez se possa saber a resposta, olhando para os interesses financeiros (reais “benefícios humanos”?), em jogo na base, em volta e por detrás da atividade vivisseccionista acadêmica e dos negócios que ela encobre. Consultando-se a tabela de preços das empresas que fornecem camundongos geneticamente modificados para pesquisas vivisseccionistas, por exemplo, começamos a ter uma idéia do que se esconde por detrás do argumento do “benefício humano”, que os vivisseccionistas defensores da legalização desta prática anti-ética usam como escudo para protegerem-se das críticas abolicionistas.</p>
<p>A pesquisa com animais vivos “beneficia interesses humanos”: o preço de um camundongo geneticamente modificado, para citar apenas uma espécie usada na vivissecção, pode variar de U$ 100,00 a U$ 15.000,00 dólares a unidade. Os utensílios para o devido manejo de um animal desses não são oferecidos por preços camaradas. Um aparelho para matar, de forma “humanitária”, animais usados na pesquisa, desativando-lhes as enzimas cerebrais, custa algo em torno de U$ 70.000,00 a unidade. Aparelhos para conter ratos, cães, gatos e macacos, podem custar entre U$ 4.500,00 a U$ 8.500,00 a unidade. Os “produtores” de animais também são parte desta cadeia que forma a “dependência da ciência em relação à vivisseccção”, sem a qual ela não pode sobreviver hoje, e à qual a vida e a saúde humana estão algemadas.</p>
<p>Em 1999, relatam Greek &amp; Greek, a venda de camundongos nos Estados Unidos alcançou 200 milhões de dólares. A de outros animais chegou a 140 milhões de dólares. Mas, os “benefícios humanos” aos quais os vivisseccionistas se referem em sua defesa pública da regulamentação da vivissecção no Brasil, não se restringem apenas ao que os empresários produtores de animais e fabricantes de aparelhos para contê-los nos biotérios e laboratórios faturam. Também os editores das revistas, jornais e livros são parte desta comunidade humana “beneficiada” pela vivissecção. E, finalmente, o benefício humano mais espetacular está no faturamento da indústria química e farmacêutica, uma cadeia de negócios ao qual estão atreladas todas as farmácias ao redor do planeta e todas as pessoas que compram medicamentos alopáticos na esperança de cura ou alívio de seus males, e alimentos processados, cujos componentes levaram os animais a sofrerem o Draize Test e o LD 50.</p>
<p>Mas, quando os vivisseccionistas publicam artigos defendendo a legalização de sua prática anti-ética, a de matar animais para inventar modelos que possam espelhar doenças humanas, mesmo sabendo que cada organismo tem sua própria realidade ambiental e não existe um meio que possa curar uma mesma doença em todos os indivíduos, pois cada um a desenvolve de modo peculiar, os “benefícios contábeis” e os “benefícios acadêmicos” acumulados em todos os elos dessa cadeia vivisseccionista são escondidos do leitor. Ninguém publica, no Brasil, um relato minucioso do montante destinado pelas agências financiadoras à pesquisa vivisseccionista. Por isso, não temos conhecimento dos custos do fracasso vivisseccionista (AIDS, câncer, Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla, diabetes, colesterolemia, doenças ambientais, muito mais do que genéticas).</p>
<p>A pesquisa com animais levou a indústria farmacêutica ao apogeu nos últimos vinte anos. Não casualmente, nestes últimos vinte anos, multiplicaram-se as mortes por insuficiência circulatória, hipertensão, diabetes, câncer, síndromes neurológicas degenerativas, cirrose hepática e infecções. O componente ambiental dos males humanos não pode ser espelhado em organismo de ratos e camundongos. Ao mesmo tempo, vivisseccionistas insistem em defender a lei que legalizará sua prática, dando a entender ao público leigo que a vivissecção é a “saída” para a cura dos males humanos. Seus artigos “científicos” não produzem efeito, nem sobre seus pares vivisseccionistas. Como poderiam produzir efeitos sobre a saúde humana? 80% dos artigos publicados em revista especializada são citados no máximo uma vez em outros veículos, e 50% dos artigos vivisseccionistas jamais são citados, seja na mesma, seja em outras revistas (Greek &amp;Greek). Os milhões de animais mortos para que tais artigos sejam publicados e para que seus autores os contabilizem em sua produtividade acadêmica, tiveram suas vidas destruídas para nenhum outro “benefício humano”, a não ser dar a seus autores o título de mestre e doutor, ou a concessão de bolsas de produtividade.<br />
São esses os reais “benefícios humanos” da prática vivisseccionista, dos quais ninguém pode abrir mão?</p>
<hr />
<p>Sônia T. Felipe, doutora em Filosofia Moral e Teoria Política pela Universidade de Konstanz, Alemanha, membro do Bioethics Institute da Fundação Luso-americana para o Desenvolvimento, FLAD; pós-doutorado em bioética com recorte em ética animal, Professora e pesquisadora da UFSC, orienta monografias, dissertações e teses em bioética, ética animal, ética ambiental, direitos humanos e teorias da justiça. Autora de, Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas (Edufsc, 2007) e Por uma questão de princípios (Boiteux, 2003). Colaboradora da Revista Pensata Animal, <a href="http://www.sentiens.net/">www.sentiens.net</a>.</p>
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		<title>Por que somos contra os modelos animais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[VEDDAS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 May 2013 22:30:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Experimentação Animal]]></category>
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					<description><![CDATA[Paula Brügger O reducionismo como base da falibilidade dos modelos animais &#160; Além de indefensável sob o ponto de vista ético, uma vez que submete seres sencientes1 ao sofrimento físico]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Paula Brügger</p>
<p><strong>O reducionismo como base da falibilidade dos modelos animais</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Além de indefensável sob o ponto de vista ético, uma vez que submete seres sencientes1 ao sofrimento físico e psicológico (Singer, 1998; Regan, 2001), a vivissecção2 é uma prática que falha em pelo menos um critério fundamental para que seja considerada verdadeiramente científica: predictabilidade.</p>
<p><span id="more-859"></span>Antes de tecer algumas considerações acerca das razões de ordem epistemológica subjacentes aos resultados pífios provenientes dos modelos animais, gostaria de remeter o leitor a alguns contextos e dados que ilustram a afirmação feita anteriormente.</p>
<p>No que diz respeito a medicamentos, por exemplo, apesar da enorme quantidade de cobaias mortos para supostamente assegurar a eficácia e testar os efeitos colaterais de novas drogas, Greek &amp; Greek (2000, p.117) destacam que “segundo a organização Pharmaceutical Research and Manufacturers of America, apenas 1% dos novos medicamentos testados em laboratórios vão para o estágio clínico (em que são testados em voluntários humanos). Dos que chegam ao mercado, muitos apresentam sérios efeitos colaterais e riscos não previstos. “Uma revisão realizada pelo governo americano nas drogas lançadas entre 1976 e 1985 revelou que 51,5% delas ofereciam riscos não previstos nos testes” (Barnard &amp; Kaufman, 1997, p.81). Greek &amp; Greek (2000, p.58) destacam que, “a cada ano, dezenas de milhares de pessoas adoecem devido ao uso de fármacos legalmente vendidos. Archibald (2005), que argumenta no mesmo sentido, afirma ainda que os efeitos colaterais de medicamentos prescritos estão entre as primeiras causas de mortes no Ocidente3. Ela cita o caso recente do Vioxx &#8211; um fármaco para combater a artrite &#8211; que foi retirado do mercado global em setembro de 2004, após ter causado 140.000 casos de ataques cardíacos e derrames somente nos EUA. O fármaco, quando testado em animais não-humanos, se mostrou seguro e até benéfico para o coração deles. Outro exemplo que merece destaque é o das terapias de reposição hormonal. Prescritas para milhões de mulheres, porque diminuíam o risco de doenças cardíacas e derrame em macacos, tais terapias aumentaram significativamente o risco dessas doenças em mulheres e ainda provocaram 20.000 casos de câncer de mama. Archibald cita diversos outros fármacos que matam4 e Greek &amp; Greek (2003, p.112-115) também apresentam uma longa lista de medicamentos retirados do mercado, na Grã-Bretanha e EUA, por conta dos seus gravíssimos efeitos colaterais (que incluem morte). Eles destacam que as drogas listadas representam uma pequena parte da calamidade total. A lista completa é quase inumerável, dizem eles, uma vez que muitos problemas sequer foram relatados.</p>
<p>E por que razão tais drogas são ineficazes e até perigosas? Porque os dados provenientes de testes com animais não-humanos são caóticos e não confiáveis. Eis um exemplo emblemático: “pesquisadores escolheram 6 drogas com efeitos colaterais conhecidos em humanos. Os testes com animais corretamente previram 22 efeitos colaterais, mas incorretamente apresentaram 48 efeitos que não ocorriam em humanos. E mais, os testes em animais não previram 20 efeitos colaterais que ocorrem nos humanos. Portanto, os modelos animais erraram 68 vezes em 90. Assim, em 76% das vezes, os resultados provenientes de experimentos com animais estavam errados” (Lumley and Walker apud Greek &amp; Greek, 2003, p.111)</p>
<p>O modelo animal é falho porque existem diferenças, entre nós e eles, na anatomia, na fisiologia, nas interações ambientais, nos tipos de alimentos ingeridos, etc, que resultam na não-correspondência na absorção, distribuição e metabolismo de substâncias. Ademais, as condições de laboratório são mais controladas do que na vida humana e as doses veddasistradas aos animais podem ser muito maiores do que as prescritas aos humanos, em termos de peso corporal. Portanto, fora o fato de que as vias de inoculação de diferentes substâncias – se oral, anal, peritonial, vaginal, etc &#8211; podem exercer uma grande influência sobre o resultado dos testes, a dosagem pode ser também um fator crucial.</p>
<p>Fano (2000), por exemplo, destaca que muitos testes com animais ocorrem em condições (dosagens, métodos, etc) que não têm similaridade com a vida real. Em um experimento envolvendo o adoçante ciclamato, os animais receberam o equivalente humano a 552 garrafas de refrigerantes por dia. Em dois experimentos com tricloroetileno (usado como agente descafeinizante em café) os ratos receberam uma dose equivalente a 50 milhões de xícaras de café por dia. Isso pode falsificar os resultados de duas maneiras: pode envenenar as células e tecidos, tão severamente, a ponto de prevenir uma resposta carcinogênica que em outras condições poderia ocorrer; ou pode sobrecarregar, ou mudar, os processos metabólicos e causar uma resposta carcinogênica que poderia não ocorrer, conclui ela.</p>
<p>Além disso, a velocidade do metabolismo dos animais é variável. Animais de laboratório são em geral menores do que os humanos e, com isso, têm um metabolismo muito mais intenso. Dessa forma, eliminam toxinas mais rapidamente do que os humanos, o que pode impedir que os efeitos tóxicos apareçam, como observa Fano.</p>
<p>Apesar de os vivisseccionistas afirmarem que ratos e camundongos se constituem em bons modelos para estudar doenças e outras condições ou males que acometem os humanos, há expressivas diferenças entre eles e nós. Segundo Greek &amp; Greek (2003, p.121), “ratos respiram obrigatoriamente pelo nariz, o que pode alterar a forma de entrada de uma substância pela corrente sanguínea; a placenta é consideravelmente mais porosa nos ratos do que na espécie humana; devido a diferenças na distribuição da microflora intestinal, eles são muito mais propensos a metabolizar um composto veddasistrado oralmente em um metabólito ativo, ou tóxico; a secreção de ácido no interior do estômago deles é contínua, enquanto no dos humanos ela ocorre apenas em resposta à presença de alimentos, ou outros estímulos. Os ratos são ainda animais de hábito noturno, susceptíveis a doenças diferentes das nossas, têm requerimentos nutricionais também diferentes e são incapazes de vomitar. Todas essas peculiaridades (anatômicas, fisiológicas, etc) afetam a absorção, a farmacocinética e o metabolismo de compostos, ou causam reações inesperadas com relação a um composto”5.</p>
<p>Muitas outras questões que afetam os dados provenientes de testes com animais não-humanos poderiam ser adicionadas aqui como, por exemplo, a influência do enriquecimento ambiental (veja artigo da New Scientist, (173[2333], 09 de mar.2002:11, intitulado “Home comfort for lab animals create problems for researchers”). Mas, afinal, que questões estariam no cerne de tais resultados caóticos?</p>
<p>Os modelos animais são imprecisos porque se constituem numa prática imersa no paradigma mecanicista e, portanto, reducionista, que se tornou hegemônico em nossa cultura. Tal paradigma encontra-se também inextricavelmente associado a uma ética antropocêntrica e especista. A oposição sujeito-objeto, base da pretensa descrição objetiva da natureza, é outra dicotomia que está no cerne do corpus formal do conhecimento em nossa sociedade e também na experimentação animal. Nela, toma-se um animal como modelo de estudo, sendo este analisado segundo suas supostas capacidades de prever ou reproduzir um determinado fenômeno. Dentro do paradigma mecanicista isso faria sentido, pois tratar-se-ia de analisar, compreender, ou identificar, um determinado mecanismo para depois verificar de que forma aquele mecanismo (genético, fisiológico, metabólico, etc) poderia ser usado para predizer outro, o organismo a ser modelado. Ocorre que os fenômenos sociais e naturais são muito mais complexos do que postulam as premissas da visão mecanicista, o que torna esse paradigma inadequado ou, no mínimo, muito limitado para descrever tal gama de complexidade (veja Maturana, 2002; Capra, 1996; Brügger, 2004, p.63-120).</p>
<p>Capra (1996), por exemplo, argumenta que há três critérios fundamentais para uma descrição abrangente da natureza da vida: o padrão de organização (a configuração de relações que determinam as características essenciais do processo); a estrutura (a incorporação física do padrão de organização do sistema); e o processo (a atividade envolvida na incorporação contínua do padrão de organização do sistema). Nessa visão, todos os sistemas vivos são sistemas cognitivos e a cognição sempre implica a existência de uma rede autopoiética, ou seja, a característica básica de uma rede viva é que ela produz continuamente a si mesma, ela se autocria (veja também Maturana, 2002). Esse processo de autocriação também influi na capacidade de formar novas estruturas e novos padrões de comportamento.</p>
<p>Assim, embora haja muitas características comuns entre nós e os outros animais, diferenças microscópicas entre as nossas células e as deles podem levar a erros grosseiros. Todas as espécies &#8211; plantas e animais &#8211; seguem o mesmo design: são formados pelas mesmas unidades de DNA (A,T,C,G) que são juntadas no mesmo processo. Mas, enquanto o material genético é o mesmo, a composição, os arranjos são diferentes. Isso faz toda a diferença.</p>
<p>O seguinte contexto &#8211; que envolve a semelhança entre nós e os chimpanzés &#8211; demonstra de forma inequívoca a razão de rechaçarmos o argumento reducionista de que tais animais são excelentes modelos. Segundo Greek &amp; Greek (2003, p.49-50), “se examinarmos os genes que codificam proteínas que atuam como enzimas, ou provêem a base para estrutura, ou movimento celular, a semelhança entre nós e os chimpanzés é maior do que 99%. A diferença está, portanto, não nos blocos de construção, mas na forma como eles são arranjados e comandados por genes reguladores que controlam o padrão e o crescimento. Assim, por exemplo, uma única diferença num aminoácido, entre primatas humanos e não-humanos, faz com que o HIV não se acople ao mesmo receptor celular em primatas não-humanos”.</p>
<p>Essa é a “dialética” da natureza. E é exatamente o que argumenta Capra, no parágrafo anterior (veja também Brügger, 2004, p.125-128).</p>
<p>Assim, o elevado grau de correspondência genética que há entre nós e tais modelos (como primatas e roedores) só faz sentido, em termos de confiabilidade, dentro de uma visão reducionista de ciência. Os animais não-humanos não podem ser considerados como bons “modelos analógicos causais” (CAMs). Segundo os filósofos Hugh La-Follete e Niall Shanks (1996) um modelo analógico causal funciona da seguinte forma: X (o modelo) é semelhante a Y (o objeto a ser modelado) com relação às propriedades {a&#8230;.e}. X tem a propriedade adicional f. Embora não observada em Y, supõe-se que Y também tenha a propriedade f. Então, se a droga Z causa a morte do modelo animal (por exemplo, a penicilina mata porquinhos da Índia), por analogia, matará os humanos (veja Greek &amp; Greek, 2003, p.45). La-Follete e Shanks (1996) afirmam que “os modelos analógicos causais teriam que apresentar também características comuns; conexões causais entre as características; e ausência de disanalogias relevantes. E afirmam que a possibilidade de haver disanalogias causais relevantes destrói o argumento de que as pesquisas com animais têm importância direta para o estudo de fenômenos biológicos humanos. Isso acontece porque, até que sejam feitos testes com humanos, não há como saber se existem ou não disanalogias relevantes entre nós e o modelo animal estudado. E há fortes razões teóricas para esperar que existam disanalogias causais relevantes. Animais humanos e não-humanos foram submetidos a pressões evolutivas muito distintas. O fato de duas espécies terem propriedades funcionais biológicas semelhantes não nos dá razão para pensar que elas tenham mecanismos causais subjacentes semelhantes. Embora os humanos não sejam ´essencialmente´ diferentes dos ratos, ou tampouco formas de vida ´mais elevadas´, somos diferentes em termos de complexidade. Diferenças entre as espécies, ainda que pequenas, freqüentemente resultam em respostas radicalmente divergentes com relação a estímulos qualitativamente idênticos. Diferenças evolutivas nos sistemas biológicos de humanos e roedores, por exemplo, desencadeiam um efeito cascata que resulta em marcadas diferenças em importantes propriedades biomédicas entre as duas espécies”.</p>
<p>Portanto, a presença de pequenas diferenças no nível celular, como prega a Teoria da Evolução, invalida as extrapolações entre as espécies.</p>
<p>Compreendemos de forma muito limitada a pujança autopoiética da natureza, mas queremos exercer domínio sobre ela. Penso que as questões aqui colocadas devam, portanto, fazer parte do debate sobre a eficácia dos modelos animais como ferramentas de ensino e pesquisa. Isso porque os profissionais que deles se utilizam são, em tese, cientistas e estão produzindo conhecimento, além de estarem formando uma legião de seguidores de seus preceitos cientificamente questionáveis.</p>
<p>Embora hoje não seja mais possível negar a influência dos fatores aqui apontados &#8211; os quais concertados entre si podem produzir uma realidade completamente nova e inesperada, com a qual o cientista tem que lidar &#8211; os fundamentos epistemológicos subjacentes a tais processos, ainda se constituem numa questão considerada excessivamente abstrata. Entretanto, a aceitação de que há uma interdependência entre variáveis que não podem ser isoladas e estudadas em separado, ou quantificadas em termos de influência, faz parte da essência do método científico &#8211; mesmo o mecanicista &#8211; ainda que em menor extensão. Essa é uma questão muito mais profunda e crucial do que pode parecer, pois implica compreender verdadeiramente que o conhecimento construído é sempre uma abstração no sentido rigoroso do termo. E que algumas abstrações, ou metáforas, são mais adequadas do que outras para descrever determinadas realidades.</p>
<p>Dessa forma, salvo em casos nos quais os modelos animais tenham sido rigorosamente validados (mas isso implica a morte de milhões deles!), os dados corretos, aparentemente obtidos a partir de modelos animais, são, na verdade fruto da coincidência e do acaso, ou de pistas fornecidas por outros campos de pesquisa. Não refletem o resultado de uma empreitada verdadeiramente científica, uma vez que não implicam num conhecimento minucioso dos complexos mecanismos presentes nos processos estudados6. Tais acertos parecem refletir nada mais do que um pequeno percentual bem-sucedido de meras tentativas e, com isso, não diferem significativamente de outras situações como os índices de acerto em cestas de basquete, por exemplo, por parte de pessoas que não dominam tal esporte.</p>
<p>Urge, portanto, que façamos uma reflexão criteriosa acerca da manutenção desse paradigma ancorado em valores antropocêntricos e especistas. Não é razoável afirmar que é impossível prescindir dos modelos animais quando não há um investimento sistemático (nem em educação, nem em pesquisa) no uso de alternativas, sejam elas técnicas substitutivas ou alternativas no sentido lato (como bancos de dados clínicos, epidemiológicos e outras fontes de informação).</p>
<p>Finalmente, vale dizer que as críticas aos modelos animais fazem parte de uma crítica maior que diz respeito às visões de saúde e doença presentes na medicina que se tornou hegemônica, baseada na intervenção e não na prevenção. Tal visão faz parte de um paradigma que privilegia as soluções “farmaco” e “tecno”-lógicas, como de resto é a ótica dominante em nossa cultura (exemplo emblemático é o tratamento/cura proposto para as “mudanças climáticas” ora em curso). E, mais uma vez, a falta de visão sistêmica jaz na base de todas essas questões.</p>
<p>Notas:</p>
<p>1. Seres sencientes são aqueles capazes de experimentar prazer, dor, alegria e outras sensações e emoções.</p>
<p>2. O termo vivissecção tem o significado de “cortar vivo”. É empregado para designar a realização de operações ou estudos em animais vivos para observação de determinados fenômenos.</p>
<p>3. As primeiras são: câncer, doenças do coração e derrame (acidentes vasculares cerebrais).</p>
<p>4. Alguns fármacos citados por Archibald são o Baycol, o Rezulin, Propulsid, Opren, Eraldin.</p>
<p>5. Há ainda diferenças importantes entre machos e fêmeas, e entre linhagens e resultados de diferentes instituições.</p>
<p>6. Como os chamados “laços de realimentação” e outros mecanismos que podem atuar de forma auto-referencial nos modelos propostos.</p>
<p>Bibliografia:</p>
<p>ARCHIBALD, Kathy. Animal testing: science or fiction? The Ecologist, maio. 2005: 14-17.</p>
<p>BARNARD, Neal &amp; KAUFMAN, Stephen. Animal research is wasteful and misleading. Scientific American, fev. 1997. 80-82.</p>
<p>BRÜGGER, Paula. Modelos animais. In: Amigo Animal – reflexões interdisciplinares sobre educação e meio ambiente: animais, ética, dieta, saúde, paradigmas. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2004: 63-120; 125-128).</p>
<p>CAPRA, Fritjof. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. Trad. Newton Roberval Eichemberg. São Paulo, Cultrix, c1996.</p>
<p>FANO, Alix. Beastly practice. The Ecologist, vol 30 (3), maio, 2000: 24-28</p>
<p>GREEK, Ray C.&amp; GREEK, Jean S. Sacred cows and golden geese &#8211; the human cost of experiments on animals. Foreword by Jane Goodall. New York/London: Continuum, 2000.</p>
<p>GREEK, Ray &amp; GREEK, Jean. Specious Science: How Genetics and Evolution Reveal Why Medical Research on Animals Harms Humans. London, New York: Continuum, 2003.</p>
<p>LaFOLLETTE, Hugh &amp; SHANKS, Niall. Brute Science: Dilemmas of Animal Experimentation. London: Routledge, 1996.</p>
<p>MATURANA, Humberto R.&amp; VARELA, Francisco J.. A árvore do conhecimento – as bases biológicas da compreensão humana. 2ªed. Trad. Humberto Mariotti e Lia Diskin.São Paulo: Palas Athena, 2002.</p>
<p>REGAN, Tom. Defending animal rights. Chicago: University of Illinois Press, 2001.</p>
<p>SINGER, Peter. Ética Prática. 2ª ed. Trad. Jefferson L. Camargo. São Paulo, Martins Fontes, 1998.</p>
<hr />
<p>Paula Brügger é bióloga, professora do Depto. de Ecologia e Zoologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ex-membro da Comissão de Ética no Uso de Animais &#8211; (CEUA), mestra em Educação e Doutora em Ciências Humanas &#8211; Sociedade e Meio Ambiente. É autora dos livros &#8220;Educação ou adestramento ambiental?&#8221;, que está na 3ª edição, e &#8220;Amigo Animal – reflexões interdisciplinares sobre educação e meio ambiente&#8221;. Atualmente coordena o projeto educacional &#8220;Amigo Animal&#8221;.<br />
E-mail: <a href="mailto:brugger@ccb.ufsc.br">brugger@ccb.ufsc.br</a></p>
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		<title>Pelo progresso da Ciência</title>
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		<pubDate>Fri, 24 May 2013 22:26:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Experimentação Animal]]></category>
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					<description><![CDATA[Maria de Nazareth Agra Hassen Como progride a ciência? O grande teórico da filosofia da ciência, Thomas Kuhn, no clássico A Estrutura das Revoluções Científicas, sustenta que a ela avança]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Maria de Nazareth Agra Hassen</p>
<p>Como progride a ciência? O grande teórico da filosofia da ciência, Thomas Kuhn, no clássico A Estrutura das Revoluções Científicas, sustenta que a ela avança aos saltos, isto é, não progride por cumulatividade. Ele reconhece dois tipos de ciência: a ciência normal e a extraordinária.</p>
<p><span id="more-857"></span></p>
<p>Kuhn investiga o conceito de paradigma, uma visão de mundo que orienta e estrutura as investigações científicas. O paradigma inclui tudo: as leis, a teoria dominante, os princípios filosóficos de que ela se cerca, as concepções metodológicas e procedimentos padronizados.</p>
<p>A ciência normal é ciência do dia-a-dia, do cientista que, mergulhado no seu paradigma, descarta tudo o que seus conceitos não conseguem resolver. Assim, anomalias e novidades que surgem no seu caminho experimental são eliminadas visando não comprometer os fundamentos do modelo de ciência na qual este cientista está inserido. Enfim, a comunidade científica &#8220;pesquisa&#8221; sob os ditames do seu paradigma. Ela visa enquadrar nele todos os fenômenos com que se depara. Aqueles que ela não consegue enquadrar, ela desconsidera e segue no seu modus operandi cotidiano e repetitivo.</p>
<p>Contudo, a acumulação de anomalias, isto é, de casos problemáticos que o paradigma não resolve, acaba por dar origem a períodos de crise. As &#8220;anomalias&#8221;, ao ameaçarem o paradigma nos seus próprios fundamentos, são momentos críticos porque o consenso dá lugar à divisão, à formação de grupos que procuram outras teorias e outros fundamentos. A este período crítico, Kuhn dá o nome de ciência extraordinária.</p>
<p>A mudança de um paradigma é uma revolução, e a ciência só progride por revoluções paradigmáticas, isto é, sinteticamente: a ciência só progride quando as anomalias se fazem notar, quando elas sacodem o cientista normal da sua tarefa monótona e fechada dentro dos procedimentos do paradigma. Assim, da crise, surgirá uma idéia, uma teoria que revolucionará a ciência, que instaurará por fim, um novo.</p>
<p>A relação com o caso da Objeção de Consciência pretendida por Róber Bachinski é evidente. Róber fez exteriorizar-se a anomalia, isto é, ele representa a legião de estudantes que se desencantam com os cursos com que sonharam e com os quais pensavam valorizar a vida. Róber é um e é muitos. Basta ver a quantidade de pessoas que vêm deixando seus depoimentos nos sites que publicaram a notícia de sua vitória na liminar que lhe garantiu o direito de não matar para estudar. Estudantes que dizem ter desistido de cursar Veterinária porque buscavam salvar vidas e aprendiam como fazer lingüiça. Queriam salvar animais e aprendiam a transformar animais em comida humana com controle sanitário.</p>
<p>Claro que estamos aqui no campo do ensino e não da ciência propriamente dita. Entretanto o ensino acontece dentro do paradigma dominante, e os professores são os cientistas normais por excelência.</p>
<p>Todo mundo já teve a experiência de um professor ousado, criativo, contestador. Mas a maior parte de nós conhece muitos professores acomodados, repetidores semestre a semestre das mesmas aulas, mesmas metodologias, até mesmas piadas quando temos a sorte de conhecer um bem humorado. Assim como também conhecemos colegas que querem a repetição, que querem que o mundo siga sendo como sempre foi, porque é mais cômodo e porque acham ótimo estudar na mesma cartilha dos pais e dos avós.</p>
<p>Pois os pais e avós do ensino estão no dia de hoje muito incomodados. E seus discípulos, alguns deles, também. Dá para ver nos mesmos sites antes referidos o nível desses colegas ao manifestarem seu descontentamento com a decisão judicial. Desviam o foco da ação para o autor da ação, tentam desmerecê-lo, o ofendem. O incrível é que essa decisão não os afeta, ela tão somente garante o direito do aluno postulante de não participar de experiências que ferem seus princípios de reconhecimento dos direitos animais.</p>
<p>Róber é a anomalia da ciência normal. Mas vejam bem, anomalia no sentido kuhniano, isto é, ele mostra que o paradigma vigente não está dando conta de um dilema ético que vem se impondo. E esse dilema ético começa a ser representativo de muitos. A Justiça o reconhece. A Justiça encontra artigos em Códigos que apóiam a objeção de consciência, isto é, o direito de um estudante postular substituição a mortes de animais em aulas práticas. A sociedade, por meio de centenas de ongs, se mobiliza para defender esse direito. Enfim, a crise está instaurada. Para os que não conseguem entender a crise como propulsora do progresso da ciência, o momento é grave, é de luto. Para os que concebem a crise como a emergência de desafios crescentes que levarão ao salto da ciência, é momento de celebração.</p>
<p>Assim como a ciência normal tenta enquadrar dentro do paradigma os fenômenos com que se depara, também a Universidade (onde tanto se estuda Thomas Kuhn e onde se teoriza sobre aspectos da vida moral como pluralidade, alteridade, diversidade) tenta enquadrar Róber no modelo da dessensibilização, que é como se chama a faculdade de não ligar para o sofrimento alheio em nome da ciência.</p>
<p>É hora do velho paradigma dar lugar ao novo, a um novo modelo de ciência que dê conta das objeções éticas que, felizmente no que diz respeito aos direitos animais, se apresentam na entrada do século XXI. Pelo menos até a crise seguinte&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p>E-mail: <a href="mailto:naza@portoweb.com.br">naza@portoweb.com.br</a></p>
<p>Texto já publicado no site do Grupo pela Abolição do Especismo de Porto Alegre &#8211; GAE &#8211; <a href="http://www.gaepoa.org/">http://www.gaepoa.org/</a></p>
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		<title>Pelo fim da Experimentação Animal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[VEDDAS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 May 2013 22:23:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Experimentação Animal]]></category>
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					<description><![CDATA[Sérgio Greif O movimento pelo fim da experimentação animal não é um movimento irresponsável, como querem fazer parecer muitos cientistas interessados na continuidade da experimentação animal. Não é um movimento]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Greif</p>
<p>O movimento pelo fim da experimentação animal não é um movimento irresponsável, como querem fazer parecer muitos cientistas interessados na continuidade da experimentação animal. Não é um movimento que se opõe à ciência e à saúde humana, mas um movimento que busca uma transformação na abordagem científica, de forma a priorizar a saúde da população em detrimento dos interesses econômicos de grupos restritos.<br />
<span id="more-853"></span><br />
Posicionar-se contra a experimentação animal é buscar a ciência séria, correta. Defensores da ciência baseada na experimentação animal alegam que os avanços científicos ocorrem quando doenças humanas são induzidas em animais experimentais. No entanto, apesar do tempo e dos bilhões de reais investidos pelo contribuinte, os resultados obtidos desses experimentos não se aplicam ao ser humano.</p>
<p>Isso porque diferenças genéticas determinariam que cada organismo responda de modo diferente aos diferentes tratamentos. Essas diferenças tornariam até mesmo a extrapolação de dados entre populações humanas uma dificuldade. Com efeito, drogas desenvolvidas às custas de experimentos com seres humanos são efetivas apenas para 30-50% da população. Para o restante da população são drogas nada efetivas ou perigosas, já que podem produzir efeitos colaterais graves.</p>
<p>Modelos animais, além desses flagrantes fatos concernentes à sua própria biologia, apresentam também o problema adicional de serem animais saudáveis. As doenças precisam ser induzidas nesses animais, e muitos recursos científicos são destinados especificamente para isso. Mas de que forma podemos confiar nesses modelos com doenças induzidas, quando eles ignoram as origens de nossas próprias doenças?</p>
<p>Extirpar o pâncreas de um cão pode induzir no animal um estado semelhante ao diabetes. Mas a doença diabetes é mais do que um pâncreas que não cumpre com sua função. O ser humano desenvolve a doença pela ação de determinados fatores genéticos e ambientais e só sabemos disso porque dados clínicos e epidemiológicos nos mostraram isso. Somente através do trabalho em cima desses fatores poderemos pensar em combater o diabetes em seres humanos.</p>
<p>Não será forçando cães a inalar a fumaça do equivalente a 1.000 cigarros que obteremos dados referentes aos efeitos do tabagismo em seres humanos. É óbvio que apenas a observação da população de fumantes poderá produzir resultados confiáveis. A indução do câncer em animais mediante a aplicação de drogas não será resposta para a causa ou o tratamento do câncer em populações humanas. Isso não teria aplicação nem mesmo para a pesquisa veterinária, pois uma coisa é um cão doméstico desenvolver câncer naturalmente, e outra completamente diferente é que esse câncer lhe seja induzido.</p>
<p>Embora esses exemplos possam parecer simplistas, eles refletem bem a linha de defesa em que se apóiam aqueles que lutam pelo fim da experimentação animal. Não somos uma seita religiosa tentando retroceder a medicina e todos os seus avanços. Queremos que a medicina avance e que o faça baseada em pressupostos corretos, livre do sistema viciado, da formas como se encontra.</p>
<hr />
<p>Sérgio Greif, Biólogo do grupo VEDDAS, em São Paulo (SP), mestre em Alimentos e Nutrição, co-autor do livro &#8220;A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo&#8221; e autor do livro &#8220;Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável&#8221;.</p>
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		<title>Os verdadeiros argumentos abolicionistas contrários à vivissecção</title>
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		<dc:creator><![CDATA[VEDDAS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 May 2013 22:21:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Experimentação Animal]]></category>
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					<description><![CDATA[Sônia T. Felipe (Enviado à Pensata Animal para edição no volume de novembro 2007) Os defensores dos animais, favoráveis à abolição do uso do modelo animal para pesquisa da cura]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sônia T. Felipe</p>
<p>(Enviado à Pensata Animal para edição no volume de novembro 2007)</p>
<p>Os defensores dos animais, favoráveis à abolição do uso do modelo animal para pesquisa da cura das doenças humanas, ao contrário do que afirma André Petry, não são &#8220;obscurantistas zoofílicos&#8221; que querem fazer parar toda pesquisa científica na área da saúde e medicina humana.</p>
<p><span id="more-851"></span>André Petry parece bastante &#8220;cego e obscurecido&#8221; por sua própria visão egocêntrica, e possivelmente ainda não teve tempo de ler nada do que já foi publicado nos últimos 30 anos sobre a necessidade de mudar do paradigma vivisseccionista para outro mais de acordo com os avanços tecnológicos e científicos da humanidade esclarecida. Quais são os argumentos que sustentam a posição nada &#8220;obscurecida nem medieval&#8221;, dos abolicionistas?</p>
<p>O primeiro deles, é que a saúde humana é a saúde de uma espécie viva, cuja biologia, fisiologia e psicologia em muito se assemelha a muitas outras espécies vivas que habitam o planeta terra. É verdade. Em nome disto, os abolicionistas sustentam que não se pode justificar eticamente o uso de animais vivos em experimentos dolorosos e letais, porque nenhuma vida senciente é substituível por outra, nem da própria espécie, nem de qualquer outra espécie. Estar vivo é a única e grandiosa maravilha para cada um dos seres vivos sencientes. Tirar a vida de centenas de milhões de seres sencientes para testar drogas inventadas para lidar apenas com os sintomas das doenças produzidas na espécie humana, justificando-se que afinal as vidas destruídas não têm valor inerente algum para os seres dizimados, que seu valor só existe em relação ao que os humanos podem fazer aproveitando-se de sua vulnerabilidade, não é argumento ético. Tal tese não se sustenta eticamente, porque não poderia ser usada validamente para justificar o uso de seres humanos em condições vulneráveis em experimentos semelhantes.</p>
<p>O segundo argumento dos defensores dos animais (erroneamente denominados por André Petry de &#8220;zoofílicos&#8221;, o certo seria dizer zoófilos, do grego zoo = animal, e philia = amor), não se baseia na hipótese &#8220;de parar a ciência em nome da bicharada&#8221;, ou seja, da interrupção de toda e qualquer pesquisa científica, mas da abolição de toda e qualquer pesquisa que quer ser considerada científica mas continua a fazer uso de animais vivos como modelo para testes de produtos químicos e drogas que se multiplicam não apenas desnecessariamente ao redor do planeta, sempre prometendo a cura dos males humanos que nunca chegam a ser curados, mas letalmente, por induzirem a própria comunidade científica a crer que, por serem semelhantes os organismos de animais não-humanos e de humanos, do ponto de vista da estrutura fisiológica e em muitos casos neurológica e mental, também do ponto de vista da estrutura molecular esta semelhança se repita.</p>
<p>Não é verdade que da perspectiva metabólica sejam iguais dois organismos vivos quaisquer. Se um organismo é dotado de um sistema nervoso central organizado, se produz hormônios, se tem consciência dos eventos que o afetam positiva ou negativamente, isto é, se tem emoções, este organismo assemelha-se, mas de modo algum é igual a um outro organismo com as mesmas características. Não apenas o sexo, a idade, a espécie, a linhagem, o estatuto no grupo social são características que alteram significativamente as percepções de um indivíduo senciente (não importa aqui se este indivíduo é um rato, um suíno, um eqüino ou um humano), mas, para além dessas variáveis um milhão ou milhões de outras traçam uma rede impossível de ser escaneada em cada indivíduo animal usado como modelo ou cobaia para testes da indústria farmacêutica e química. Cada indivíduo produz uma química própria, semelhante à dos pares da mesma espécie, mas infinitamente singular. Não há dois processos metabólicos exatamente iguais, embora padrões semelhantes se façam reconhecer em indivíduos da mesma idade, sexo e linhagem.</p>
<p>Nos milhões de outros interferentes devemos levar em conta, desde o tipo de parceiros confinados no mesmo grupo prestes a servir de cobaia, até os sons ou ruídos produzidos ou subtraídos do ambiente no qual os animais ficam engaiolados enquanto são usados para os experimentos. O olfato de humanos não consegue perceber os odores que impregnam uma sala de experimentação, desde o cheiro do shampoo usado pela estudante, até seu desodorante, esmalte de unhas, maquiagem, tecidos de suas roupas, sapatos, e outros odores de seu corpo. Multiplique-se isto por 10 ou 20 pessoas que entram e saem do laboratório todos os dias, o que comeram dois dias antes, ou agora mesmo na lanchonete&#8230; se lavaram as mãos, ou não, após pagar o lanche e tocar no dinheiro fedido&#8230; ah! ainda tem o fedor de suas carteiras, suadas e manuseadas há anos, de seus bolsos, nos quais botam e tiram as mãos dezenas de vezes por dia&#8230; e o cheiro de suas bolsas, de seu material científico, da tinta na qual o artigo acabou de ser impresso&#8230; dos produtos usados para a desinfecção do ambiente, isto, quando tal preocupação existe&#8230; o cheiro das gaiolas, do piso, das paredes, dos químicos usados para tornar potável a água que sai da torneira, o cheiro do capacho no qual todos limpam os pés &#8230; se é que o fazem, antes de entrar no laboratório, e os cheiros que entram por debaixo das portas, nos dias de vento, de chuva, de poeira e calor&#8230; e o cheiro da roupa nova que três ou quatro estão usando&#8230; o cheiro do sexo que acabaram de fazer antes de virem para o trabalho vivisseccionista, e o cheiro de seus hálitos infectos com fumo, álcool, frituras, refrigerantes e partes dos cadáveres que acabaram de ingerir na última refeição&#8230; São muitos cheiros a perturbarem o olfato dos camundongos e ratos, dos gatos e cães engaiolados como se fossem sapatos aos pares em caixinhas nas quais mal se podem mover. Cada cheiro desses desencadeia em seus organismos reações metabólicas mil, sobre as quais o pesquisador não tem o menor controle. Por isso, não existe o tal do &#8220;controle das variáveis&#8221;. Por isso, o que o pesquisador pensa que garante controle de variáveis em sua investigação é apenas aparente, é muito pouco ou mesmo nada, quando se trata de seres que têm 300 milhões de células olfativas a mais do que as nossas próprias.</p>
<p>O vivisseccionista tem a soberba de dizer ao público que sua pesquisa é científica, porque todas as variáveis estão sob seu controle experimental. Mentira. Não estão. E vejam, só me referi até aqui a um tipo de estímulo que altera completamente a fisiologia do animal senciente super-olfativado. Não falei dos sons. Mas os há em quantidade tão variável e &#8220;sem qualquer controle&#8221;, num laboratório de vivissecção, que levam o organismo dos animais a produzirem químicas singulares, em reação ao que ouvem sem poderem decodificar: o som da água que passa por dentro das paredes, nos canos embutidos. Sons que o vivisseccionista não ouve, mesmo tendo um ouvido &#8220;superior&#8221; ao de sua cobaia. E tem ainda o som da eletricidade, que também passa pelos canos embutidos nas paredes. Também estes sons horríveis e estressantes o vivisseccionista não ouve, mesmo tendo uma superioridade biológica sobre todas as demais espécies. Mas, no laboratório vivisseccionista, somente os pesquisadores são surdos, e não apenas a estes ruídos insuportáveis que só são percebidos por ouvidos muito sensíveis, os mesmos ouvidos atormentados 24 horas por dia com esses e outros ruídos ensurdecedores que não existem no ambiente natural dos animais usados na vivissecção. E tem ainda o ruído dos computadores ligados, do ar condicionado, da impressora e dos teclados, os sons metálicos dos objetos manipulados no experimento, o som dos que caem no chão ou sobre as bases metálicas. Tem o som das vozes dos 10 ou 20 vivisseccionistas que entram e saem do laboratório conversando, rindo, chorando, gargalhando&#8230; e o de seus aparelhinhos enfiados nos ouvidos com MP3, e o de seus celulares, bips, e Ipods&#8230;. e o som dos carros lá fora, de buzinas, das trovoadas, e os sons do andar superior, do inferior, de gavetas que são abertas e fechadas, de armários metálicos abertos e fechados, de portas metálicas ou não, de chaves passadas na fechadura, de trincos de portas manuseados, de fechos de bolsas e sacolas abertas e fechadas, de equipamentos sendo ligados ou desligados.</p>
<p>E há, ainda, a variação da temperatura, da umidade do ar, da quantidade de químicos que a companhia de águas acaba de botar para &#8220;tratar&#8221; da água depois daquela denúncia de que a água estava sendo servida contaminada&#8230; e o insuportável odor da comida servida, sempre da mesma marca e com nutrientes que apenas para o vivisseccionista são necessários, não para o bem-estar do animal senciente. E tem o toque do manejador, e já não preciso descrever o que fazem ao animal em seguida.</p>
<p>Fiz apenas uma lista ínfima das variáveis que interferem no metabolismo de um animal senciente, e que levam os resultados a níveis enganadores. Esta lista não chega a 1% de tudo o que um animal usado como modelo vivo percebe. Qual o controle que o vivisseccionista tem sobre tais variáveis e outras? Mesmo que todos os animais sencientes sejam de uma mesma linhagem, de uma mesma idade, de um mesmo sexo, a intensidade de suas percepções, a exemplo do que ocorre com os humanos, varia de indivíduo para indivíduo, e mesmo num indivíduo de uma hora para outra, ou de um dia para outro.</p>
<p>Um terceiro argumento que leva os abolicionistas a se oporem ao uso de animais vivos na ciência, é justamente o da perda de tempo que tal modelo tem representado para o avanço científico, se é que a ciência quer mesmo encontrar a cura dos males humanos e não apenas drogas para serem consumidas e renderem lucros à indústria farmacêutica, aliás, uma das mais poderosas ao redor do planeta.</p>
<p>A maior parte das doenças humanas são produzidas por hábitos que somente os humanos têm. Os abolicionistas não pregam o fim da pesquisa genuinamente científica sobre a saúde humana. Eles defendem o fim do uso de animais não-humanos como objeto destas pesquisas. Quando, afinal, os cientistas acordarão para o fato de que só se pode conhecer a etiologia das doenças humanas estudando a clínica humana? O que os abolicionistas querem é que todo o dinheiro investido hoje ao redor do planeta em modelo animal seja investido em pesquisas realmente científicas voltadas ao estudo da etiologia da doença humana. Não precisa usar humanos como cobaias em experimentos bárbaros.</p>
<p>Mais de 50 anos de testes de drogas em animais e em humanos são suficientes para se ter dados sobre as reações a todas as drogas comercializadas no mundo desde a década de 60 do século XX. Basta formar um banco de dados com todos os resultados obtidos até hoje, com todos os relatos médicos obtidos com o uso dessas milhões de drogas inventadas e usadas em cobaias humanas ao redor do planeta sem que essas cobaias tenham sequer noção de que, o que seus médicos acabam de lhes anunciar como a droga mais recente para a cura de suas doenças, é na verdade um experimento que lhes pode ser inócuo, ou mortal.</p>
<p>Os abolicionistas não são obscurantistas medievais [se é que a Idade Média foi obscurantista, embora os médicos dos reis o fossem, ao abrirem sapos, pombos e cães para examinar suas vísceras e dar resposta aos soberanos sobre a cura ou não de suas doenças. Os abolicionistas não defendem esta prática medieval, pelo contrário, defendem o fim dela!]. Pelo contrário. São seres humanos cientes do desperdício da inteligência humana, que hoje é treinada apenas para prescrever drogas legais tendo na parede de sua sala de trabalho um diploma da medicina. O que está sendo feito com a inteligência dos jovens que entram num curso de medicina com o intuito de ajudarem os seres humanos a eliminarem seus males e a curarem suas doenças? Prescrevendo drogas, ainda que legais, os jovens médicos apenas estão matando o rim, o fígado, o estômago, a bexiga, o sangue de muitos de seus pacientes, efeito do uso de medicamentos testados largamente em animais.</p>
<p>Um quarto argumento abolicionista refere-se às doenças mais letais e crônicas que afetam a espécie humana: cardiovasculares, pulmonares, do trato digestivo e urinário, psíquicas, dores nas costas, câncer, degenerações neurológicas&#8230; curáveis com a abstenção, por alguns meses, de todos os produtos de origem animal [leia, Foods that Fight Pain e The Food Revolution].</p>
<p>Mas, milhões de camundongos e ratos são mortos todos os anos para que uma droga seja inventada para curar os humanos de triglicerídios, hipercolesterolemia, falta de cálcio, excesso de ácido úrico, hipertensão, diabetes, e assim por diante. Vivisseccionistas querem por que querem fazer os que sofrem dessas doenças crerem que logo, logo, uma droga será comercializada para livrá-los dos males que eles mesmos inventam com sua dieta errada.</p>
<p>Mas, se o médico não prescrever nenhuma droga, se olhar para seu paciente e disser: por dois meses quero que &#8220;teste&#8221; em você mesmo a seguinte dieta sem leite, ovos, manteiga, iogurte, carne, peixe, frango ou quaisquer de seus derivados&#8230; este médico será demitido da clínica. Afinal, para que lhe foi concedido um diploma, se não é para prescrever aos pacientes as drogas legais colocadas no mercado?</p>
<p>A Organização Mundial da Saúde tem tornado públicos os relatórios médicos que alertam para a necessidade de redesenhar a dieta humana [leia The Food Revolution, e Diet for a New America, de John Robbins]. Mas, os cientistas querem que milhões de animais morram em suas mãos até que eles tenham conseguido inventar drogas para que os humanos não precisem abrir mão de nada que costumam comer, por mais tóxico que isso seja para seus organismos.</p>
<p>De qualquer modo, ainda que se descobrisse uma droga para curar o alto nível de colesterol, o uso desta droga certamente desencadearia outros males. Estes, outra vez, requereriam a vivissecção, para que o cientista pudesse encontrar uma nova droga para livrar os pacientes que houvessem usado a anterior dos males que ela produz. A cadeia vai se expandindo ao infinito. É exatamente neste ponto que já nos encontramos. O que os vivisseccionistas não querem perceber é que esta trama não apenas não os levará ao sucesso, mas é responsável pelo seu fracasso.</p>
<p>A maior parte dos males dos quais padecem os humanos, hoje, ou já existia há mais de 5 séculos, ou há mais de 2 mil anos, ou resultou do uso de produtos químicos testados em animais e colocados em alimentos, bebidas e medicamentos.</p>
<p>Os animais não têm culpa alguma de nossas escolhas. Eles não beneficiam das nossas vantagens. Eles não têm de responder às perguntas que os cientistas deveriam estar buscando responder com a matemática, com simulações em computador, com raciocínio sobre os dados já disponíveis ao estudioso.</p>
<p>Os abolicionistas, ao defenderem a libertação dos animais de sua condição de escravização, defendem a libertação dos cientistas dessa malha que os ata e os desatina. Não achamos que os vivissectores são maldosos e cruéis. Achamos apenas que são homens e mulheres &#8220;infelizes&#8221;, no sentido aristotélico do termo, quer dizer, são seres racionais, que sabem o que se espera deles, por sua &#8220;excelência&#8221;, mas estão se condenando a fazer exatamente o contrário do que se espera que façam. Este é o conceito de infelicidade na ética aristotélica: saber o que é esperado fazer, e fazer o que leva ao contrário do resultado esperado.</p>
<p>A libertação animal é a libertação humana, a libertação da mente e da inteligência humana, para que possa finalmente prestar-se à finalidade mais refinada para a qual deveria ter sido aprimorada: buscar o saber, sem tirar a vida de seres vulneráveis. Esta é a inteligência que esperamos ver florescer na ciência biomédica. Mas os obscurantistas vivisseccionistas não querem tornar-se inteligentes desse outro modo, pois aprenderam a obscurecer sua inteligência revolvendo as vísceras de animais vulneráveis, em vez de aprimorarem-na, criando modelos matemáticos e computadorizados e métodos de investigação não-invasivos em humanos, afinal, os destinatários finais de tanto empenho, ou não?</p>
<p>E, finalmente, não é por ser aceita e defendida por &#8220;toda a comunidade&#8221; vivisseccionista, que a prática vivisseccionista se torna, então, ética. Se André Petry não for obscurecido por seu furor contra os abolicionistas, deve lembrar-se de que a história humana arquiva episódios de aceitação das maiores barbáries por uma maioria, ainda que uma minoria antecipasse a crítica ética a tais costumes ou tradições. Foi assim, no império romano, com as lutas forçadas entre os gladiadores e animais; foi assim com a escravização dos africanos, contra a qual ninguém ousava levantar a voz, e quem o fez, no Brasil, foi condenado à forca; foi assim, com o império nacional-socialista europeu no século XX, não apenas com um país inteiro formando a maioria apoiadora, incluindo-se a &#8220;comunidade dos médicos e cientistas&#8221; favorável a tais práticas; foi assim com a exclusão das mulheres, a inquisição, a ditadura e o consumo que levará nosso planeta à morte. A verdade não necessariamente se encontra do lado do mais forte, apenas a força está lá. Quem desafia a tradição moral dominante é tachado de obscurantista. Apenas não se disse claramente que tipo de luz ilumina a vivissecção. A &#8220;cura das doenças&#8221; humanas, infelizmente, não é. Os abolicionistas não são iluminados por esta luz, eles o são, por outra: paz para todos os animais viverem o seu próprio bem, a seu próprio modo, sem prisões, sem grilhões, sem tormentos. Basta estar vivo para sofrer maus momentos. Não precisa nenhuma inflição de novos tormentos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p>Sônia T. Felipe, doutora em Filosofia Moral e Teoria Política pela Universidade de Konstanz, Alemanha, membro do Bioethics Institute da Fundação Luso-americana para o Desenvolvimento, FLAD; pós-doutorado em bioética com recorte em ética animal, Professora e pesquisadora da UFSC, orienta monografias, dissertações e teses em bioética, ética animal, ética ambiental, direitos humanos e teorias da justiça. Autora de, Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas (Edufsc, 2007) e Por uma questão de princípios (Boiteux, 2003). Colaboradora da Revista Pensata Animal, <a href="www.sentiens.net">www.sentiens.net</a>.</p>
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		<title>O papel da Experimentação Animal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[VEDDAS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 May 2013 22:20:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Experimentação Animal]]></category>
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					<description><![CDATA[Luís de Andrade Martini Nossa vida e bem-estar não dependem da experimentação animal. As experiências com animais apenas resguardam os interesses da indústria farmacêutica e associadas, possibilitando colocar no mercado]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Luís de Andrade Martini</p>
<p>Nossa vida e bem-estar não dependem da experimentação animal. As experiências com animais apenas resguardam os interesses da indústria farmacêutica e associadas, possibilitando colocar no mercado drogas nem sempre seguras às pessoas. Experimentos em animais são conduzidos para amenizar as responsabilidades de laboratórios que lançam no mercado produtos que mais tarde poderão vir a prejudicar seres humanos.</p>
<p><span id="more-844"></span><br />
Por exemplo, se o xampu que não deveria arder nos olhos queimou os olhos de uma menina, isso é visto como uma fatalidade; testes realizados em olhos de coelhinhos mostram que o produto é seguro. E quem pode provar que o cigarro está associado a alguma doença, quando experimentos com animais mostram resultados inconclusivos?</p>
<p>Após passarem por todos os testes ‘necessários’, em animais, e serem colocadas no mercado, muitas drogas precisam ser recolhidas. Isso porque seus efeitos adversos começam a se manifestar na população, muitas vezes de forma grave. Os testes em animais não podem prever esses efeitos, e isso é de conhecimento da indústria, mas há uma necessidade de que eles sejam conduzidos para prevenir a indústria de futuros processos.</p>
<p>Se todos os testes considerados necessários pela legislação forem realizados em animais a indústria se isenta de sua responsabilidade. As pessoas que vierem a falecer em decorrência do uso de um medicamento tornam-se fatalidades. Números aceitáveis frente aos possíveis benefícios do medicamento.</p>
<p>A ciência que utiliza animais de laboratório não é uma ciência boa, não apenas porque vitima animais inocentes, mas porque os resultados que produz prejudicam também ao ser humano. Esta metodologia conduz ao erro, ao atraso, a dados errôneos, à má-interpretação, à incoerência e ao desperdício de vidas. A abolição da vivissecção não é algo para ser pensado para o futuro, ela deveria ser algo do passado, é urgente. A utilização de animais em experimentos é um erro que se propagou na ciência e que ainda não foi suficientemente questionado. Cabe à sociedade como um todo se mobilizar no sentido de extingui-la.</p>
<hr />
<p>Luís de Andrade Martini é psicólogo e professor de psicologia do curso de pós-graduação do Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo, onde também exerce as funções de supervisor de estágios e orientador de pesquisas científicas.</p>
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		<title>O modelo animal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[VEDDAS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 May 2013 22:18:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Experimentação Animal]]></category>
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					<description><![CDATA[Sérgio Greif Se um pesquisador propusesse testar um medicamento para idosos utilizando como modelo moças de vinte anos; ou testar os benefícios de determinada droga para minimizar os efeitos da]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Greif</p>
<p>Se um pesquisador propusesse testar um medicamento para idosos utilizando como modelo moças de vinte anos; ou testar os benefícios de determinada droga para minimizar os efeitos da menopausa utilizando como modelo homens, certamente haveria um questionamento quanto à cientificidade de sua metodologia.</p>
<p><span id="more-841"></span></p>
<p>Isso porque assume-se que moças não sejam modelos representativos da população de idosos e que rapazes não sejam o melhor modelo para o estudo de problemas pertinentes às mulheres. Se isso é lógico, e estamos tratando de uma mesma espécie, por que motivo aceitamos como científico que se teste drogas para idosos ou para mulheres em animais que sequer pertencem à mesma espécie?</p>
<p>Por que aceitar que a cura para a AIDS esteja no teste de medicamentos em animais que sequer desenvolvem essa doença? E mesmo que o fizessem, como dizer que a doença se comporta nesses animais da mesma forma que em humanos? Mesmo livros de bioterismo reconhecem que o modelo animal não é adequado.</p>
<p>Dados experimentais obtidos de uma espécie não podem ser extrapolados para outras espécies. Se queremos saber de que forma determinada espécie reage a determinado estímulo, a única forma de fazê-lo é observando populações dessaa espécie naturalmente recebendo esse estímulo ou induzi-lo em certa população.</p>
<p>Induzir o estímulo esbarra no problema da ética e da cientificidade. Primeira pergunta: será que é certo, será que é meu direito pegar indivíduos e induzir neles estímulos que naturalmente não estavam incidindo sobre eles? Segunda pergunta: será que é científico, se o organismo receber um estímulo induzido, de maneira diferente à forma como ele naturalmente se daria, será ele modelo representativo da condição real?</p>
<p>Ratos não são seres humanos em miniatura. Drogas aplicadas em ratos não nos dão indícios do que acontecerá quando seres humanos consumirem essas mesmas drogas. Há algumas semelhanças no funcionamento dos sistemas de ratos e homens, é claro, somos todos mamíferos, mas essas semelhanças são paralelos. Não se pode ignorar as diferenças, as muitas variáveis que tornam cada espécie única. Essas diferenças, por menores que pareçam, são tão significativas que por vezes produzem resultados antagônicos.</p>
<p>Testes realizados em ratos não servem tampouco para avaliar os efeitos de drogas em camundongos. Isso porque apesar de aparente semelhança, ambas as espécies possuem vias metabólicas bastante diferentes. Diferenças metabólicas não são difíceis de encontrar nem mesmo dentro de uma mesma espécie, admite-se que as drogas presentes no mercado são efetivas apenas para 30-50% da população humana.</p>
<p>Na prática o que acontece é que um rato pode receber uma dose de determinada substância e metabolizá-la de maneira que ela se biotransforme em um composto tóxico. A toxicidade mata o rato, mas no ser humano essa droga poderia ser inócua, quem sabe a resposta para uma doença severa. Por outro lado, o teste em ratos pode demonstrar a segurança de uma droga que no ser humano se demonstre tóxica.</p>
<p>Centenas de drogas testadas e aprovadas em animais foram colocadas no mercado para uso por seres humanos e precisaram ser recolhidas poucos meses após, por haverem sido identificados efeitos adversos à população. Se as pesquisas com animais realmente pudessem prever os efeitos de drogas a seres humanos, esses eventos não teriam ocorrido. Dessa forma, pode-se inferir que a pesquisa que utiliza animais como modelo não só não beneficia seres humanos, como também potencialmente os prejudica.</p>
<p>O modelo de saúde que defendemos é aquele que valoriza a vida humana e animal. Os interesses da indústria farmacêuticas e das instituições de pesquisa que lucram com a experimentação animal não nos dizem respeito. Buscamos por soluções reais para problemas reais.</p>
<p>Os maiores progressos em saúde coletiva se deram através de sucessivas mudanças no estilo de vida das populações. Há uma forte co-relação entre nossa saúde e o estilo de vida que levamos. Se nosso estilo de vida é dessa ou daquela forma, isso reflete em nossa saúde. Está claro que as doenças sejam reflexo, em grande parte, de nosso estilo de vida e que a cura deva estar em correções nesses hábitos.</p>
<hr />
<p>Sérgio Greif, Biólogo do grupo VEDDAS, em São Paulo (SP), mestre em Alimentos e Nutrição, co-autor do livro &#8220;A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo&#8221; e autor do livro &#8220;Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável&#8221;.</p>
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		<title>Necessidade de Experimentação Animal? (I)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[VEDDAS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 May 2013 22:16:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Experimentação Animal]]></category>
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					<description><![CDATA[Luís de Andrade Martini A experimentação animal é necessária para o bem-estar e a saúde humana? A resposta para essa pergunta é não. Para explicar de uma maneira bem simples,]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Luís de Andrade Martini</p>
<p>A experimentação animal é necessária para o bem-estar e a saúde humana? A resposta para essa pergunta é não. Para explicar de uma maneira bem simples, se assim o fosse, não seria necessária a existência de medicamentos de uso veterinário e medicamentos de uso humano, e poderíamos escolher entre nos operarmos em um médico ou um veterinário. Com efeito, não haveriam diferenças entre ambas as profissões.</p>
<p><span id="more-838"></span></p>
<p>Qualquer pessoa que tenha estudado biologia aprende que organismos evoluem. Evoluir significa diferenciar, derivar. Ratos e camundongos são animais parecidos, mas não idênticos; eles derivaram de um mesmo ancestral comum, cada qual com suas características. Mas uma vez que as diferenças se acumularam, duas espécies surgiram, próximas, mas diferentes. Fato é que ambos os organismos reagem de maneiras diferentes a determinadas drogas, a determinados tratamentos. Não basta sabermos que ratos pesam mais do que camundongos para corrigirmos a dose de uma droga, pois não existe qualquer linearidade que confira cientificidade a essa extrapolação. As diferenças entre espécies são qualitativas e não quantitativas.</p>
<p>Da mesma forma acontece com o rato em em relação ao hamsters, o hamster em relação ao porquinho-da-índia, esse em relação ao coelhos, os sapos, os pombos, cães, gatos, porcos, macacos e, é claro, o homem. Nenhum resultado que se obtenha desses animais poderá ser aplicado ao homem, porque ao contrário do que querem nos fazer acreditar, o rato não é um ser humano que pesa quinhentas vezes menos. Também, a diferença de 0,4% entre os genes do chimpanzé e do homem não tornam esse um modelo recomendável para a pesquisa de doenças humanas em 99,6% dos casos.</p>
<p>Animais utilizados em experimentação, para serem considerados &#8220;bons&#8221;, precisam pertencer a linhagens específicas. Eles precisam ser o mais homogêneos possível, com o mínimo de variação genética. Dessa forma, os resultados que se obtém desses experimentos são bem agrupados. Se ao invés de utilizarem animais de mesma linhagem fossem utilizados animais com diferentes procedências, ainda que pertencentes à mesma espécie, os resultados obtidos seriam inconclusivos, pois mesmo dentro de uma mesma espécie as diferenças tornam as reações aos tratamentos muito variadas. Daí pode-se entender a inconsistência da defesa da utilização de animais.</p>
<p>A alegação mais comum para defender essas práticas é a de que seres humanos e animais domésticos são diretamente beneficiados por esses experimentos. Defende-se que, sem as pesquisas em animais, o ser humano não disporia de vacinas, transplantes, anestesias, nem das drogas que pretensamente tratam as diferentes doenças. Alarma-se para a idéia de que o fim da experimentação animal representaria o fim da humanidade. O declínio em nossa qualidade de vida, em nossa longevidade. Estas alegações são, para dizer o mínimo, enganosas.</p>
<p>Embora todos esses tratamentos tenham sido exaustivamente testados e aprovados em animais, todos eles se mostraram falhos em produzir efeitos promissores em seres humanos, pelo menos em um primeiro momento. Muitos deles, apesar da segurança comprovada em animais, mostraram-se prejudiciais a seres humanos, produzindo severos efeitos colaterais. E se a intenção desses experimentos era impedir que seres humanos fossem utilizados como cobaia, isso não aconteceu.</p>
<p>Se hoje transplantes de órgãos podem ser realizados com maior sucesso e existem vacinas um pouco mais seguras, foi porque ao longo dessas últimas décadas esses tratamentos foram testados em seres humanos, muitas vezes às custas de suas vidas e saúde. O pretenso sucesso desses tratamentos em tempos mais recentes, embora possa vir a ser contestado em outras instâncias, não pode ser atribuído ao uso de cobaias animais, mas sim ao uso de cobaias humanas.</p>
<p>Seres humanos morreram nos primeiros transplantes de órgãos, seres humanos sofreram severos efeitos adversos de vacinas do passado, e com base nessas tentativas e erros, a atual medicina foi construída. Não com base na experimentação animal. XX</p>
<p>Mas, se a experimentação animal não beneficia aos humanos, por que a maioria das pessoas acredita que ela é essencial? Podemos dizer que em certo sentido a ciência funciona como uma religião, onde a autoridade do alto clero jamais é contestada; assim, um doutor jamais pode ser questionado, mesmo que seja um mero reprodutor de uma idéia que ouviu. O próprio cientista muitas vezes não se questiona, o que parece um contra-senso, mas ele assume que determinados pressupostos são verdadeiros e os defende cegamente.</p>
<p>Em outra abordagem, a ciência é mercantilista. Ela funciona por interesses comerciais, e a experimentação animal é interessante nesse aspecto. Além de todos os equipamentos e insumos necessários para a manutenção de animais de laboratório (gaiolas, equipamentos de contenção, rações, etc) a indústria lucra com a experimentação animal.</p>
<p>Indústrias, como a farmacêutica, obtêm seus lucros da venda de seus produtos, no caso, medicamentos. Por isso, elas necessitam convencer a população de que seus produtos são vitais para sua qualidade de vida. Esforços são feitos para convencer as pessoas de que o aumento em nossa expectativa de vida tem relação direta com a enorme disponibilidade de drogas e tratamentos atuais. Poucos atribuem essas melhorias às nossas atuais condições de moradia, de higiene, abastecimento de água limpa, saneamento, segurança alimentar, etc, fatores estes que também passaram a preponderar nas últimas décadas.</p>
<hr />
<p>Luís de Andrade Martini é psicólogo e professor de psicologia do curso de pós-graduação do Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo, onde também exerce as funções de supervisor de estágios e orientador de pesquisas científicas.</p>
<hr />
]]></content:encoded>
					
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		<title>Essa Ciência não entrega a cura prometida</title>
		<link>https://veddas.org.br/essa-ciencia-nao-entrega-a-cura-prometida/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[VEDDAS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 May 2013 22:15:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Experimentação Animal]]></category>
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					<description><![CDATA[Sônia T. Felipe As investigações científicas mais relevantes para a preservação da saúde e da vida humanas resultaram de estudos feitos com base na clínica, na observação e no mapeamento]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sônia T. Felipe</p>
<p>As investigações científicas mais relevantes para a preservação da saúde e da vida humanas resultaram de estudos feitos com base na clínica, na observação e no mapeamento das doenças que mais incidem sobre a população humana ou de estudos voltados para a prevenção das doenças, não exclusivamente para o combate de seus sintomas.</p>
<p><span id="more-835"></span></p>
<p>As descobertas científicas que mais contribuíram para prolongar a vida humana resultaram basicamente de estudos e observações clínicos, e não de testes feitos em animais vivos de outras espécies.</p>
<p>Via de regra, estudos baseados no modelo animal vivo (vivissecção) servem apenas para desenvolver a habilidade dos cientistas na construção de modelos que terão de ser, mais tarde, redesenhados para a aplicação em estudos destinados à investigação de possíveis terapêuticas para doenças humanas.</p>
<p>Após todo esse esforço, as drogas não funcionam como prometido. Muitas delas são retiradas do mercado após constatada sua letalidade para humanos. A ciência usa o dinheiro e investe o tempo de seus operadores se perdendo nos labirintos da vivissecção. Seu investimento nesse único método de pesquisa é diretamente proporcional ao seu fracasso em responder satisfatoriamente às questões às quais se propõe responder com a investigação.</p>
<p>Enquanto gerações e gerações de jovens cientistas são transformadas em vivisseccionistas sob a imposição hegemônica de uma ideologia claramente fracassada, outras tantas gerações de jovens, bebês e adultos morrem a cada ano daquelas mesmas doenças que o cientista há mais de cinco ou seis décadas promete curar ao buscar em organismos de ratos e camundongos a resposta para males que afetam cada vez mais devastadoramente organismos de indivíduos humanos.</p>
<p>A ciência vivisseccionista não tem feito nenhum progresso na busca da cura dos grandes males que produzem as doenças crônicas, dolorosas e letais mais comuns em organismos humanos: câncer, acidentes vasculares, diabetes, hipertensão, mal de Alzheimer, mal de Parkinson. Além do fracasso evidente de todas as drogas até hoje empregues para a &#8220;cura&#8221; dessas doenças, é preciso contabilizar o fracasso de outras inventadas a partir do modelo vivisseccionista para o tratamento das demais doenças que afligem os seres humanos, a exemplo da depressão e de outras formas de sofrimento psíquico.</p>
<p>Ao adotar o organismo de camundongos, ratos, cães, gatos, porcos, cavalos, aves e primatas não humanos como referência para a investigação, a ciência deixa de estudar e conhecer o organismo e o psiquismo dos seres da espécie humana, a destinatária de seus resultados.</p>
<p>O que o cientista vivisseccionista faz é estudar a fisiologia dessas doenças em organismos que, via de regra, nem sequer as produzem naturalmente. É preciso &#8220;fabricar&#8221; um camundongo com câncer para testar nele as drogas prometidas para curar o câncer em organismos que não foram &#8220;fabricados&#8221; com câncer, mas que o desenvolvem. A morte por câncer continua a ser praticamente previsível, apesar das drogas às quais o paciente humano é submetido na &#8220;luta contra&#8221; ele. Adiar a morte não cura.</p>
<p>Esta ciência pode abrir mão do uso de animais vivos, pois, embora ela tenha produzido uma quantidade incalculável de drogas para combater os sintomas de tais males, ao sustentar sua investigação no vivisseccionismo, não produz resultados que garantem a &#8220;cura&#8221; de nenhum daqueles males mais freqüentes que afetam crônica ou agudamente a saúde e destroem a vida humana.</p>
<hr />
<p>Sônia Teresinha Felipe, 53, doutora em filosofia moral e teoria política pela Universidade de Konstanz (Alemanha) com pós-doutorado em bioética-ética animal pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa (Portugal), é professora da graduação e da pós-graduação em filosofia e do doutorado interdisciplinar em ciências humanas da Universidade Federal de Santa Catarina.</p>
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		<title>Em benefício do ser humano?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[VEDDAS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 May 2013 22:13:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Experimentação Animal]]></category>
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					<description><![CDATA[Sérgio Greif Algumas instituições científicas, se dizendo bastante preocupadas com o futuro da ciência, estiveram no último dia 13, em Brasília para tentar mobilizar os deputados para apressar a votação,]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Sérgio Greif</p>
<p>Algumas instituições científicas, se dizendo bastante preocupadas com o futuro da ciência, estiveram no último dia 13, em Brasília para tentar mobilizar os deputados para apressar a votação, e aprovação, do Projeto de Lei 1.153/95, que regulamenta a experimentação animal. A alegação é a de que a falta de regulamentação, até o momento, torna o setor frágil frente a atuação de grupos opostos à experimentação animal.</p>
<p><span id="more-832"></span> Nessa linha de argumentação, a ciência não pode progredir sem a experimentação animal, e dela depende a saúde humana. Alegam também que ainda não existem alternativas para todas as pesquisas que são realizadas em animais.</p>
<p>Esse evento traz à tona uma discussão que não pode deixar de ser debatida por toda a sociedade. São os animais modelos que reproduzem o metabolismo do ser humano? Pesquisas em animais beneficiam seres humanos? Sabemos que o câncer é, desde a década de 80, tão fatal para ratos quanto o resfriado é para nós. Sabemos que ratos não tem mais problema de colesterol elevado, graças a um coquetel de vitaminas que os cientistas desenvolveram especialmente para eles. Sabemos que o Mal de Parkinson, Mal de Chagas, o nanismo e até o déficit mental são problemas do passado para esses animais. E que ratos que sofrem lesão na medula podem voltar a andar desde a década de 90.</p>
<p>Todos esses resultados promissores, obtidos já há tantos anos, às custas de muitas horas de trabalho dos cientistas e muitos bilhões de dólares do contribuinte, porém, de nada servem para o ser humano. Seres humanos continuam morrendo de câncer, sofrendo com seu colesterol elevado, Mal de Parkinson, Mal de Chagas e paraplegia. Embora a medicina esteja tão avançada no que diz respeito a roedores, ainda estamos engatinhando no que diz respeito ao ser humano.<br />
Isso porque o modelo que adotamos para nos representar não nos representa. Todos os dados obtidos experimentalmente de animais não podem ser extrapolados para seres humanos. Ainda que partilhemos muitas características fisiológicas e metabólicas com os demais animais, as diferenças entre as espécies levam a resultados muito diversos.</p>
<p>Animais são utilizados em experimentos porque esse é o modelo de medicina que vem se desenvolvendo desde o século XVIII, mas de forma alguma isso significa que essa seja a forma mais correta de melhorar a saúde da população.<br />
Chega a ser ofensivo ver cientistas, pessoas com formação adequada e que deveriam buscar a verdade acima de tudo, utilizar de linguagem agressiva e maliciosa para tentar fazer valer seus interesses particulares. Se a medicina hoje se encontra atrasada, é porque ela se baseia na experimentação animal e não será pela experimentação animal que ela irá se desenvolver.<br />
Defender o fim da experimentação animal não é colocar-se contra a ciência ou contra o ser humano, pelo contrário, é defender os interesses do ser humano e, acima de tudo, defender a ciência.</p>
<p>A medicina humana deve avançar mediante o estudo de seres humanos. Isso não significa aprisionar nossos desafetos em campos de concentração e utilizá-los como cobaias, tampouco isso seria científico. Atualmente a epidemiologia e a clínica médica são ciências periféricas frente às grandes industrias farmacêuticas e instituições de pesquisa, que produzem novos tratamentos e medicamentos. Mas, embora a venda de medicamentos atenda a interesses comerciais de grupos poderosos, a saúde da população não se encontra nesses medicamentos. Quando o cientista realmente busca a saúde da população, não é para o animal preso em um laboratório que ele deve olhar, mas para a população que já padece da doença.</p>
<p>Quais as origens dessa doença? Quais suas causa? Essas causas podem ser evitadas? Seus sintomas podem ser contornados sem que para isso se criem novas doenças, com novos sintomas?<br />
A medicina baseada na experimentação animal não beneficia seres humanos, exceto se eles tiverem interesses comerciais envolvidos. A medicina que de fato beneficia seres humanos é toda ela baseada no ser humano.</p>
<hr />
<p>Sérgio Greif, Biólogo do grupo VEDDAS, em São Paulo (SP), mestre em Alimentos e Nutrição, co-autor do livro &#8220;A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo&#8221; e autor do livro &#8220;Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável&#8221;.</p>
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